Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo João (Jo 6, 51-58)

O sacramento da Eucaristia não só é o maior dos sacramentos, como constitui a razão de ser da própria Igreja. Afinal, é a comunhão do Corpo e do Sangue de Nosso Senhor que nos incorpora cada vez mais ao Seu Corpo Místico.

Enquanto a celebração in coena Domini, na Quinta-Feira Santa, é dedicada à instituição deste sacramento, a solenidade de Corpus Christi, que estamos a celebrar, dá ênfase sobretudo à presença real de Nosso Senhor na Eucaristia.

No primeiro milênio da era cristã, esta solenidade não existia, pois ninguém ousava duvidar da realidade de Cristo nas espécies eucarísticas. Porém, no fim da Idade Média, começaram a surgir heresias distorcendo o ensinamento da Igreja neste sentido, como a falsa doutrina da empanação, segundo a qual, após a consagração, estariam na hóstia consagrada tanto o pão como Jesus Cristo. (Esse erro terrível culminou, no século XVI, com o protestantismo.) Foi em resposta a essas ideias perigosas que surgiu a Solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo.

Compreende-se, a partir dessa ótica, por que os radicais “ecumenistas” não gostem e nem queiram essa festa. Trata-se, de fato, de uma celebração muito forte. As procissões solenes com Jesus sacramentado pelas ruas das cidades do mundo expõem publicamente a fé dos católicos na Eucaristia. No entanto, é inquestionável a sua necessidade também hoje, em face de tantos teólogos modernistas que ainda combatem a presença real e substancial de Nosso Senhor no sacramento eucarístico.

A presença de Jesus na Eucaristia não é apenas estática – para que O adoremos –, como para que d’Ele comunguemos. Assim, na procissão com o Santíssimo, Cristo estará na custódia, mas também em nossos corações, tornados como que “ostensórios vivos”.

Na verdade, somos muito mais que os ostensórios porque, quando Jesus está presente na Eucaristia, não comunica nenhuma santidade aos objetos com os quais entra em contato. Eles são sagrados – foram separados para o culto divino –, mas não são santos – i. e., não participam da natureza divina. Nós, por outro lado, quando recebemos a comunhão, estamos realizando o ato mais santificador da nossa vida espiritual.

Por isso, ao comungarmos, devemos preocupar-nos não somente com as disposições mínimas para receber a Eucaristia, mas também em aumentar a eficácia de Sua ação em nossa alma. Para tanto, é preciso que nos aproximemos de Jesus sacramentado com amor, um amor que anseia pela presença do Amado. Os grandes santos, como Santa Teresa de Ávila, tinham uma verdadeira sede de Nosso Senhor na Eucaristia e passavam por enormes sofrimentos quando, por obediência, se tinham de afastar desse divino manjar.

Fonte: https://padrepauloricardo.org/episodios/solenidade-do-corpo-e-sangue-de-cristo

Categoria:Formação

Deixe seu Comentário